Ingratidão
A cada dia que passa tenho mais certezas de que não fui eu que errei. Não fui eu que dei demasiado, não fui eu que criei expectativas sobre ti.. mas sim tu que não reconheceste a sinceridade que te dei. Foste ingrata, querendo isto dizer que foste orgulhosa e esquecida. Esquecida de tudo aquilo que te dei, de tudo aquilo que te disse e de tudo aquilo que fiz por ti. Se isto já parece grave... agrava-se quando te esqueces que amanhã podes precisar de mim, quando não tiveres nenhuma mão que te levante como eu fiz quando mais precisaste. É verdade, esqueci-me que tu me disseste que eu te utilizei para meu próprio benefício mas... e quando me mandaste mensagem com dúvidas, com problemas, quando desabafavas, quando não tinhas nada para fazer ou até para saber alguma informação. Ou melhor, quando eu te dei aquilo que eu tinha, feito por mim, ao longo do ano? Aí fui eu que te utilizei?
No entanto, eu estou bem com tudo isto. Estou bem porque não me arrependo de nada do que fiz - para ti ou não. Eu fiz-te bem e tenho plena noção disso. Pagaste-me com ingratidão, ok, tudo bem, sem qualquer tipo de problema. Há de haver o dia em que digas: "Preciso de falar contigo" e eu vou ajudar-te como sempre fiz, esquecendo todo o mal que me fizeste e toda a destruição que causaste em mim.
Dizem que a maior ingratidão que podemos enfrentar na vida é a da família porque é mais dolorosa, por que causa uma ferida maior e porque vem de pessoas das quais não estávamos à espera... porque a família é o nosso núcleo, é o nosso porto de abrigo e onde nos devíamos sentir seguros... Talvez eu aceite que o seja mas posso dizer que a ingratidão vinda de uma da pessoas que nós considerávamos família, de uma pessoa a quem demos tudo aquilo que podíamos e não podíamos.
Por fim, resta-me dizer que "a ingratidão é um dos poucos atos externos que mostra quem a pessoa é por dentro".
